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sábado, 25 de fevereiro de 2017

Sustentabilidade e Educação

Sustentabilidade e Educação

            Um dos temas mais debatidos nos últimos tempos é a questão da Sustentabilidade. Por todos os lados surgem negócios e empresas sustentáveis; os indivíduos estão preocupados em adotarem um modelo de vida mais sustentável. Parece mais uma expressão da moda.
 Mas, os constantes desastres ambientais, as profundas desigualdades sociais, a consciência de que os recursos naturais não são infinitos, a violência extrema, e outros sérios problemas da atualidade sinalizam para a necessidade de se rever a forma como o ser humano vem ocupando o Planeta Terra, especialmente nos últimos séculos.
As organizações percebem a cada dia que sua sobrevivência depende da forma como lida com seus stakeholders; conscientizam-se da importância de se rever seus processos produtivos. Os governos se percebem frágeis diante da pressão exercida pelas desigualdades sociais. Os indivíduos descobrem que a acumulação de bens e riquezas, por si só, não garantem a realização pessoal e a sobrevivência em um mundo tão conturbado. JACOBI (2003), afirma que o tema da sustentabilidade “implica a necessidade de se multiplicarem as práticas sociais baseadas no fortalecimento do direito ao acesso à informação e à educação ambiental em uma perspectiva integradora”. Ele afirma ainda que “a problemática da sustentabilidade assume neste novo século um papel central na reflexão sobre as dimensões do desenvolvimento e das alternativas que se configuram” (JACOBI, 2003)
Mais do que um modismo, a sustentabilidade deve permear desde nossas ações do dia-a-dia até o estabelecimento de programas de governos e políticas públicas e o planejamento estratégico das organizações. Reverter a ordem atual, marcada pela imensa crise ambiental, social e política na qual o Planeta encontra-se mergulhado depende da parceria entre os cidadãos, os governos e as organizações. Trata-se de agir localmente pensando nas implicações globais de nossas atitudes. E a Educação tem um papel preponderante nesse processo: um novo olhar sobre o processo educativo se faz necessário. Novos paradigmas deverão ser assumidos pelos profissionais da Educação, os quais deverão protagonizar esse processo de mudança. 
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O conceito de desenvolvimento sustentável

            O conceito de desenvolvimento sustentável como sendo aquele modelo de desenvolvimento capaz de satisfazer as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades, surgiu em 1987 em um documento intitulado “Nosso Futuro Comum”, elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e desenvolvimento. Essa comissão foi criada pela Organização das Nações Unidas com o objetivo de examinar as questões críticas sobre o meio ambiente e formular propostas realísticas para abordá-las, além de propor formas de cooperação internacional nesse campo, dentre outras.
O processo de desenvolvimento sustentável deve considerar três aspectos: viabilidade econômica, correção ecológica e justiça social, sempre se respeitando a diversidade cultural. Desenvolvimento Sustentável e Sustentabilidade remetem à necessidade de uma nova forma de interação com os recursos naturais e com as outras pessoas, de modo a se garantir a permanência do ser humano sobre o Planeta Terra.

A relação entre Educação e Sustentabilidade

            É impossível pensar o desenvolvimento sustentável de uma localidade sem considerar o papel da Educação nesse processo. O nível de escolarização de um povo e, principalmente, o modo como se dá esse processo de escolarização determina o modo como esse povo interage com seu meio ambiente e estrutura as suas relações sociais. Gregório Benfica, em seu artigo “Sustentabilidade de Educação”, afirma que “tornou-se consenso relacionar Educação e desenvolvimento, de tal forma que determinados modelos de desenvolvimento e/ou objetivos econômicos direcionam as políticas educacionais”. Sendo assim, segundo o autor, “desenvolvimento sustentável exige um novo modelo educacional. Esse novo modelo deverá contribuir para a formação de uma consciência ecológica”.

1-    A Educação como estratégia para o aumento da renda e melhora das condições sociais:
Melhorar os níveis de escolarização contribui para o aumento da renda e, consequentemente das condições sociais das pessoas. Daí a necessidade da inclusão escolar e qualidade do ensino. Questões como empreendedorismo e consumo consciente devem permear o processo educativo desde as séries iniciais. As organizações devem preocupar-se com a formação de seus colaboradores, aos governos cabe oferecer Educação de qualidade e para o cidadão fica o papel de garantir seu direito à essa Educação através da mobilização e da conscientização.
Uma pesquisa feita com alunos de 40 instituições de ensino superior da região metropolitana de São Paulo, citada pela Revista de Ensino superior, por exemplo, mostra que a renda dos estudantes cresce em média 56% durante a realização do curso. O desemprego também diminui na medida em que os estudos avançam. Na pesquisa citada, 48% dos estudantes do primeiro ano do Ensino Superior declararam ter algum tipo de trabalho remunerado. Esse índice sobe para 69% entre os alunos dos últimos anos.

2-      A Educação como estratégia para melhor compreensão dos fenômenos naturais e das conseqüências das ações do ser humano sobre o planeta Terra:

A maior parcela da população mundial vive atualmente nas cidades, cujo crescimento acelerado ocorreu sem planejamento. A urbanização e a industrialização acarretaram uma degradação das condições de vida e uma crise ambiental. Urge rever a forma como a humanidade lida com os recursos naturais, já que os mesmos não são infinitos. Nesse processo, a Educação pode contribuir na criação de tecnologias mais limpas para a produção de novos materiais e de reaproveitamento de materiais já existentes. Investimentos em Educação e em pesquisa proporcionarão a utilização de matrizes energéticas limpas, não poluidoras.

3-      A Educação como estratégia para o entendimento da relação entre o respeito à diversidade cultural e a promoção da justiça social.

O processo educativo pode contribuir para uma melhor convivência entre os povos e entre os diferentes em uma sociedade. A escola, em seus diferentes graus de ensino pode proporcionar o conhecimento e reconhecimento das culturas tradicionais e promover uma sociedade mais justa, onde os cidadãos têm reconhecidos os seus direitos e estejam aptos a cumprirem seus deveres.

Conclusão

É impossível pensar o desenvolvimento sustentável do Planeta Terra sem a contribuição da Educação. As pessoas e entidades envolvidas com o processo educativo devem se conscientizar de seu papel fundamental nesse processo. E a sociedade, por sua vez, deve reconhecer a escola e os educadores como parceiros essenciais nesse processo, valorizando-os e apoiando-os.




BENFICA, Gregório. Sustentabilidade e Educação. Disponível em http://www.seara.uneb.br/sumario/professores/gregoriobenfica.pdf, acesso em 29/11/10.

JACOBI, Pedro. Educação Ambiental, cidadania e sustentabilidade.Cadernos de Pesquisa nº 118, p.189-205, março/2003. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/cp/n118/16834.pdf, acesso em 30/11/2010.

12/12/2010.






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