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domingo, 26 de fevereiro de 2017

Por que você deve visitar esse museu?

Em Caetanópolis, cidadezinha situada às margens da BR-040, rodovia que liga as cidades de Brasília (DF) e Rio de Janeiro (RJ), distante 100 Km de Belo Horizonte, está o Museu Têxtil Décio Magalhães Mascarenhas. Vale a pena fazer uma visita!



Museu Têxtil Décio Magalhães Mascarenhas - Caetanópolis (MG)


O museu está situado no interior das instalações da mais antiga fábrica de tecidos em atividades no país e seu acervo nos leva a uma viagem pela história da indústria têxtil no Brasil. São maquinários, equipamentos, amostras de tecido, fotografias e dezenas de artefatos que representam muito mais do que um retrato da atividade fabril ao longo do tempo.

As marcas do uso intenso e longevo que trazem são entrelinhas a nos contar um pouco de como se davam as relações humanas naquele universo. E, para ajudar a contar essa história estão centenas de documentos, preservados pela empresa e disponíveis para pesquisa no museu. 

Dezenas de pesquisadores, alguns renomados, já fizeram suas pesquisas aqui. E ao fazê-lo se deparam com documentos como a correspondência que reproduzo a seguir. 



"São Sebastião, 07 de janeiro de 1918

Prezado Antonino,

Saúde e muitas felicidades.

O ilustre Sr. Chico Ribeiro, gerente da Fábrica de Montes Claros convidou e tirou-me daqui o meu tintureiro, procedimento este bem fora das nossas praxis, mas, não faz mal, pois leva uma boa espiga.

Vou por no lugar aqui este rapaz que é um inválido aí na Fábrica, tendo perdido a mão na estragadeira. É inteligente e já tem alguma ideia da dança, e com um braço de menos sujeita-se a um ordenado de uns 3 macacos por dia, e este não será seduzido pelo digníssimo Sr. Chico Ribeiro.

Venho te pedir para consentir que ele tome aí umas ligeiras noções da coisa; e peço-te também se entender para isso com o Nhonho José Antonio, que estou certo não se negará a fazer-me este favor e benefício a este pobre rapaz.

E como vai V. aí de negócios? Aqui não estou vendendo absolutamente nada, mas, não me incomodo com isto, pois, de agora em diante as coisas hão de forçosamente consertar, pois o povo não pode passar sem os meus paninhos ordinários.

Sem mais, sou com estima,

Aristides



Essa carta nos permite fazer algumas análises:


*Como era feita a gestão de pessoas nas empresas: "Vou por no lugar aqui este rapaz que é um inválido aí na Fábrica, tendo perdido a mão na estragadeira*. É inteligente e já tem alguma ideia da dança, e com um braço de menos sujeita-se a um ordenado de uns 3 macacos por dia, e este não será seduzido pelo digníssimo Sr. Chico Ribeiro."

*Essa máquina levava esse nome em razão da quantidade de acidentes que ocorriam no seu manejo. Você pode conhecer uma máquina dessas na visita ao Museu.


*Como eram os treinamentos de funcionários: "Venho te pedir para consentir que ele tome aí umas ligeiras noções da coisa; e peço-te também se entender para isso com o Nhonho José Antonio, que estou certo não se negará a fazer-me este favor e benefício a este pobre rapaz.


*Qual era a visão que o industrial (pelo menos esse) tinha de seus próprios produtos e clientes: " Aqui não estou vendendo absolutamente nada, mas, não me incomodo com isto, pois, de agora em diante as coisas hão de forçosamente consertar, pois o povo não pode passar sem os meus paninhos ordinários."

É inevitável fazer uma comparação com os dias atuais; perceber as rupturas e permanências no decorrer do tempo. Esse é o grande barato da História: contribuir para uma melhor compreensão do presente a partir da análise de fatos do passado.

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